quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Frente de casa
Filipe Rossato
Três anos vão completar, e ainda não entendi como foste embora. no agitado fim de semana, em que fizemos malas, viagens e discursos, o mundo parou de girar por alguns instantes para que partiste dele, e, apesar da minha idade já avançada, das minhas experiências anteriores, do que quer que seja, ainda não entendi.
Os teus olhos já não brilhavam mais, e tua força em querer expressar o carinho que tão suave um dia demonstrou encerrou minha contemplação. eu estava ali, no epicentro da dor, ainda que não a conseguisse sentir. os dias gelados passaram lentamente e provavelmente nunca mais sairão da minha memória, mais pela incompreensão do que pela dor. tu estavas indo embora, mas tantas vezes eu fui também, e foste e foram, que os olhos não poderiam sentir nada além de outro adeus.
Para quem já deu tantos adeus, tu estavas indo embora como se vai ao terminar a vida. que outra lição tiramos desse labirinto de ciclos em que nos achamos dia após dia? que dor nova eu deveria sentir ao ver outra despedida, entre tantas maiores e mais significativas para mim? que choro deveria ter vindo, mas nunca chegou?
Daqui a pouco, será o terceiro ano que não estás mais aqui. e, de todas as despedidas, essa talvez tenha sido a que menos me doeu. mas, ao te rever hoje, ao relembrar as madeiras azuis da tua casa, a salinha cheia de objetos, o teu cumprimento afetuoso, as árvores da tua rua, eu sinto. que instante mágico entre mim e ti, talvez os mais distantes dentre todos, te coloca em meu caminho e em meus pensamentos dia após dia? que curiosa conexão criou-se entre nós agora que não estás mais aqui.
Tu foste embora, enfim, e, em meio a tanta dor, eu não chorei. para todos, a despedida derradeira da tua vida, mas para mim... daqueles dias congelantes, daquele hospital melancólico, daquela igreja dolorosa, a incompreensão que me resta não me consola e não te deixa morrer. ainda estás lá, na tua casinha, com teus olhinhos, eu é que parti. para que eu chore, é preciso que eu volte, e assim tu te vais, mas sabemos: a vida é um caminho sem volta. e, nesse trajeto, não retorno mais.
Então vais estar lá para sempre, na tua varanda, com teus livros e teu xadrez, teus mistérios e teus segredos. quanto a mim, seguirei por aqui, confiante, vida afora, pelos conselhos nunca recebidos de ti. nossos hemisférios não se acharam, mas é uma questão de espaço, não de tempo. vai ser engraçado, um dia nos encontraremos, eu no meu universo, tu na tua varanda. os dois que foram embora.
me acolherás com teus olhinhos. eu vou chorar; e tu, rir de cantinho.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Para Que Fique Para Sempre!!
Meu amigo, parceiro e, posso dizer, meu segundo pai.
Seu Aristeu Ferreira dos Santos ( seu Ariste), com você aprendi muito, mas muito mesmo.
O que devo a ti não tem preço, chama-se gratidão, admiração, respeito.
E ainda temos uma história em comum:
Primeiro foi amigaço e sócio de meu pai João da Silva Borges;
Segundo, foi amigaço e colega, por muitos anos, do meu irmão Itamiro;
Terceiro, foi meu amigaço, professor, conselheiro e parceiro.
Trabalhamos juntos por mais de 10 anos, os dois, mal-e-mal vivos, controlando a pressão com wisk e conhaque e umas cervejinhas geladas de quando em vez, leituras, cálculos, projetos, construções, regulagem de máquinas em dias de chuva, almoço nas fornalhas, alguns copos de vinho e um joguinho de trilha com milho e feijão (Sarte Viera).
De vez em quando, de bota e bombacha, pilchados a preceito. Seu Ariste mais conhecido que parteira de campanha por estes pagos de Deus, Cacique Doble, São Bépi, Barracão, Machadinho, Santo Expedito, Tupanci do Sul e arredores.
Só te peço que continues me orientando para que eu consiga transmitir teus bons conselhos, teu exemplo de humildade, sabedoria, amizade, companheirismo e, sobre tudo, bom caráter e hombridade.
Que o Patrão velho te abençoe para sempre.
Muito obrigado meu eterno parceiro. Um grande abraço do teu sempre amigo
Mauro Borges.
domingo, 26 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
A Melhor Música
Frases que duram para sempre. Já havíamos conversado um pouco, mas nenhum assunto disfarçava aquilo que todos nós, tanto eu e a Mari como o próprio pai, naquele momento, intimamente sabíamos: era chegada a hora dele partir. Fez algumas brincadeiras sobre a cachaça com cipó-mil-homens, a lida no quintal e o dia em que forças faltaram e foi socorrido por um vizinho que passava na rua. A noite se aproximava, era um anoitecer diferente. As energias que fizeram de meu pai um octogenário quase eterno, agora, aos poucos, iam lhe abandonando de mansinho. Meu Pai estava cambaleante, via-se a peleja da vida contra a morte, em alguns momentos até parecia que sobreviveria. Após um longo silêncio, perguntei-lhe se por acaso não queria ouvir alguma música, alguma daquelas suas preferidas que tínhamos ouvido no dia anterior, entre elas, Dio Come Ti Amo e Esquilador, sobre esta última, comentou na ocasião que, quando moço, gostava de tocar em seu violão. "Não, respondeu (com o fio de voz que lhe restava), vocês são a melhor música".
Desde então, toda vez que a mídia faz referência a melhor música de todos os tempos (Like a Rolling Stone – Bob Dylan - 1965), ou a melhor música de tal década, que mudam ao sabor dos ventos, o filme daquele entardecer roda em minha mente. A voz quase sumida, dos últimos momentos de meu pai, sussurra a frase que nos fez sentir, a mim e a Mari, privilegiados, diante de um quadro de profunda tristeza por saber que a separação era iminente.
Mais tarde, já no leito do hospital, pronunciaria suas derradeiras palavras: "Agradeço a todos, o Patrão Velho está me chamando." Assim era meu pai. Firme em suas decisões, severo nas abordagens com seus filhos, mas capaz de uma demonstração carinhosa tão simples, tão breve, tão sutil, como caracterizou sua relação com seus filhos. Era a sua maneira de amar.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Adelar Araújo
De como um gaúcho venta rasgada descreve um presépio:
“Fazia a modo uma ramada no alto de uns cerritos e fingindo grotas e sangões e umas reboleiras; havia esparramados uns “alimais” entre boizinhos e ovelhas de bringuedo e mais uns figurões calamistrados, de coroa, que pareciam reis e pro caso um que era negro retinto, era o mais empacholado. E, perto desses, estava a Senhora Virgem maria e o Senhor São José e, entre eles, acamado numas palhinhas de milhã e uns musgos e umas penugens, estava o menininho Jesus, ruivito e rosado, nuzinho em pêlo, pro caso como uma criancinha que não tem pecado por mostrar as vergonhinhas de seu corpo de inocente.”
João Simões Lopes Neto
Neste novo ano
Que o minuano seja brando
Que o inverno seja amigaço
Que as idéias “samiadas”na primavera
Brotem e se esparramem que nem
Carrapichos agarrados nas lãs das
Ovelhitas que você, por vadio,
Não cuidava, quando piá.
Que a saúde não te deixe
Que o patrão lá de riba
Conserve tua carapinha tordilha.
E vê se ensina o João Bola
A “trabalhar”com o violão
Que ele aprenda a tocar
A “Velha Tapera”dos Bertussi
Pro Tio Juca se borrá todo
Que nem terneiro mamão.
Que tua “pessegueira velha”
Prossiga nesta guerra santa
E te traga para o bom caminho
(A cabresto, cinchado até)
E que o Breno continue colorado
Guente no osso do peito
Por que charque de turuno
Não amolece na primeira fervida.
É o que deseja teu sempre amigo
João 14, a trigueira velha e a
Trigueirinha Enoema.
Um quebra costela do tamanho do
Rio Grande.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
“GUIE UM POUCO PIÁ”
Corria o ano de 1.979. Isto era um Domingo. Regulava umas nove e meia da manhã. Seu Aristeu, nesta quartiada da existência, se arrinconava no Barracão. Assucedeu que ele precisava pegar uns pertences em São José do ouro, cidade lindeira, “cosa” inadiável, de urgência. Tinha, na ocasião um corcel GT 73, lindaço, que por um desses mistérios da vida só ele e o Charque, o guri mais velho, guiavam. Chamou o Charque. Nada. Chamou o Aliche. Nada. Deu um vistaço no pátio e encontrou o Catorze trepado num pé de espora de galo, com uma adaga de taquara na mão, peleando com inimigos imaginários.- Venha cá, piá! - Sim, Senhor? Chegou o guri num üpa”, sujo de sangue, pois acabara de degolar três chimangos.- Embarque! Vamos dar uma volteada. Rumaram. A viagem transcorria calma. Enquanto o seu Aristeu guiava o corcel, com atenção máxima, o piá se encarregava de contar os palangues encordoados pelo caminho, aquilo mais alinhado que teto de leitão...
Buenas, termino depois, enquanto isso, até lá, leitores.
Corria o ano de 1.979. Isto era um Domingo. Regulava umas nove e meia da manhã. Seu Aristeu, nesta quartiada da existência, se arrinconava no Barracão. Assucedeu que ele precisava pegar uns pertences em São José do ouro, cidade lindeira, “cosa” inadiável, de urgência. Tinha, na ocasião um corcel GT 73, lindaço, que por um desses mistérios da vida só ele e o Charque, o guri mais velho, guiavam. Chamou o Charque. Nada. Chamou o Aliche. Nada. Deu um vistaço no pátio e encontrou o Catorze trepado num pé de espora de galo, com uma adaga de taquara na mão, peleando com inimigos imaginários.
Buenas, termino depois, enquanto isso, até lá, leitores.
João Alberto Ferreira dos Santos, o 14.
Pergunte ao João, o 14
Pergunte ao João, o 14
João Alberto, o oitavo rebento, filho de Aristeu, o singular - nas palavras do Rui - e de Enoema, aquela que - no galanteio de seu marido - era ao mesmo tempo "amiga sincera, filha obediente, esposa leal e mãe carinhosa".
Se causos nos escapam, a memória falha, simples: pergunte ao João, ao certo saberá, não apenas vagas lembranças, mas riquezas de detalhes com enredos engraçados.
O gesto em "Agnus Dei", pela enésima vez, sempre impressiona. (Herança daqueles tempos).
Ainda piazito, conta-se, do alto de alguma mesa, declamava poesias, e poesias, até o sol raiar. Pessoas boaquiabertas, meio que magnetizadas, ouviam, riam e, por fim, pediam bis.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Meu pai, um homem singular (por Rui)
De conhecimento vasto
Que não se pode dimensionar
Conhecimento que não adquiriu
Com diplomas universitários
Mas na lida pela vida afora
E também em leituras dialéticas
De livros, textos e discursos
Enfim, obras literárias de todos os matizes
Que o fez sonhar, já em meados do século XX
Bem antes de o homem pisar na lua
Em viagens interplanetárias
Era singular até nos sonhos, o meu pai
Sonhava com outros sistemas solares
Mas acalentava um sonho terreno
A universalidade da língua no esperanto
E o brilho nos olhos ao falar
Num e noutro desses sonhos
Esse homem singular era meu pai
A quem aprendemos a amar desde sempre
A quem devemos tudo que o somos
Pois além desses sonhos de homem
À frente do seu tempo
Pois aquela que lhe deu todos os frutos do amor
Uma morena, de cabelos cacheados,
De uma ternura sem fim, no meio do caminho
Ou no início de uma longa caminhada
Se foi atendendo a um chamado que nos impôs
Sérias dúvidas sobre a própria existência do Criador
E o meu pai estava lá, repartido
Entre a imensidão de uma dor
Que nunca nos abandonou,
E que por vezes volta, como agora...
E uma ninhada de razões para tocar em frente
Oito razões, cujos olhos insistiam em lhe dar forças
Mas aquele homem singular, que foi meu pai,
Manteve-se sereno o bastante pra seguir
E seguiu numa sequência de sonhos e ações
Que nos fez homens e mulheres
Com a sua mesma estirpe
Essa singularidade da vida de meu pai
Nos acalenta – em meio à dor –
E nos inunda de um gostoso orgulho
E entre sonhos e exemplos neste mundo terreno
Foi esculpindo nossas vidas, nosso caráter
Por vezes, ultimamente,
Já quando dizia ‘estar por um fio’
Ou mais adiante ‘mal e mal vivo’
Falava que já não era mais um homem singular
Como se essa sua singularidade fosse efêmera...
Efêmeros somos nós, com nossa pequenez de alma
Quando deixamos a miséria do egoísmo
E a falta de solidariedade nos tomar conta
A singularidade do meu pai, pra nós -
E quem teve o privilégio de o conhecer sabe do que falo -
Atravessará gerações e gerações
E, quiçá, um integrante dessas gerações
Daqui centenas ou milhares de anos
Entre uma prosa e um chimarrão
Num desses planetas, hoje desconhecido,
De um dado sistema solar, revele, sem meias-palavras:
- Isso tudo um meu parente, tal de
Aristeu Ferreira dos Santos, já sabia!
E acrescente: - não é à toa
Que um meu antepassado
Há centenas ou milhares de anos,
Já dizia:’meu pai era, foi e sempre será
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Derli Dutra - Depoimento
O "Seu Aristeu"
Quando comecei a trabalhar na Cooperativa Agrícola Mista Ourense Ltda, já conhecia de "vista"o vizinho que trabalhava com artefatos de concreto, e que vez em quando "roubava" um amigo de jogo de futebol no velho campinho do depósito de serragem para dar-lhe emprego em sua oficina.
Mas ele não trabalhava mais fazendo tubos para bueiros, palanques e coxos de concreto e até lápides para sepulturas. Agora era o balanceiro da Cooperativa, que com o fim da era da madeira e as madeireiras fechando com a proibição do corte de pinheiros, uma cooperativa cerealista era a esperança de muitos como eu de encontrar trabalho na própria cidade.
Com o passar dos dias, naquele final de 1971, início de 1972, fui percebendo que ele não era para a cooperativa um simples balanceiro, mas o coordenador das atividades de recebimento, preparação e expedição dos cereais entregues pelos agricultores associados que tinham nele absoluta confiança. Numa tarde chuvosa de 1972 acabei descobrindo uma outra qualidade do "seu" Aristeu. Ao lado do armazém número um, fez-se um "puxado", anexo para abrigar a balança e servir de escritório, na época havia muito mato ao redor e ninguém pensou em instalações sanitárias. No ano seguinte com a ideia de ampliar construindo um armazém e secador ainda maiores foram-se as moitas e restou urna improvisada latrina totalmente imprópria para uso humano. Lá fora chovia e sentado em uma mesa ao lado da minha o "seu" Aristeu e o agrônomo Renato Christmann, que era meu chefe na época, elaboraram uma espécie de pré-orçamento e com ajuda de retalhos de papel milimetrado e um mal apontado lápis número um, seguindo suas instruções fiz o desenho da planta, saiu um banheiro do lado direito da porta lateral do A-I, com três vasos sanitários, dois chuveiros, mijadeiro masculino, pia e um reservado para visitantes. Assim descobri que todas as construções, do inicio em 1970 até sua saída, já nos anos 90, foram todas projetadas e construídas pelo próprio.
Com o crescimento da Cooperativa criaram uma filial na cidade de Barracão e para lá mudou-se o "seu" Aristeu com familiares, malas e cuias com o fim de construir e gerenciar a nova unidade até que pelo menos os novos funcionários fossem capazes de fazer a filial funcionar.
O destino havia reservado a ele a oportunidade de fazer em sua terra natal a empresa que seria fundamental não só para o desenvolvimento da agropecuária local, mas da cidade como um todo, na época encarregado de prestar assistência ao serviço dele seguidas vezes viajei num velho jeep para trabalhar na filial de Barracão, ensinando os novos funcionários e expedindo cargas da produção recebida e quando não era possível fazer as refeições no único estabelecimento da cidade, a bodega do Gentil Clamer, tinha o grande prazer de mais uma vez experimentar da fidalguia do colega.
Com a filial ja andando com as próprias pernas, ele voltou para Sao José do Ouro, e aqui teve o mais espetacular de seus desafios, ampliando as instalações da Matriz, teve de enfrentar um problema que irritava os Diretores, primeiro: o calor produzido para secar grãos não era uniforme, causando prejuízos, depois, nos produtos armazenados, segundo: consumia muita lenha. A essa altura, eu ja tinha outro chefe o agrônomo Walter Celso Brandtner, que também trabalhava como agrimensor, a parceria com o "seu" Aristeu foi imediata e sobrou para mim a parte do desenho.
Havíamos conseguido na prefeitura uma velha mesa de desenho e a usávamos no departamento técnico da Cooperativa para serviços da empresa e do agrônomo. Voltando ao problema do secador, por diversos dias eu o vi sentado na mesa de desenho examinando as plantas do secador e do forno, uma tarde mostrou-me o que estava pensando fazer, tratava-se alterações no projeto inicial da fábrica de secadores, mudando a passagem do fluxo de calor por dentro do forno do secador, de forma que ele sai-se homogêneo e muito potente na máquina, resolvendo o problema de secagem. Meses depois, pode-se constatar que ele estava certo, nao só pela boa qualidade da secagem, o que proporcionou melhor conservação dos cereais, mas constatou-se urna economia de lenha em tomo de 20%, o que foi aplaudido e admirado por diretores e engenheiros da cooperativa e da fábrica de secadores. Pensemos nurna façanha destas nos nossos dias; quando se tenta convencer um homem que uma árvore em pé, vale muito mais que uma árvore derrubada. Aqueles 20% correspondiam a quantos metros cúbicos de madeira (não consigo lembrar)? E correspondiam a quantas arvores? Concluindo; isso ocorreu no início dos anos 80, mais ou menos 1982, até os dias de hoje quantas árvores deixaram de ser derrubadas, que tamanho teria a floresta salva por um velhote calculista.
A exemplo de Barracão, construiu unidades em Machadinho, Cacique Doble e Santo Expedito do Sul, mas a sua grande obra está bem em frete as instalações da CAMOL, na sede em Sao José do Ouro.
Oriundo da regiao noroeste do estado o Eng. Agr. Walter Celso Brandtner admirava as instalações da Cooperativa de Sarandi, enviou-me até lá para conhecer o prédio do escritório e desenhá-Io para servir de referência ao projeto que o Dr. Killer, apelido que ele deu ao "seu" Aristeu, amante de leitura, que sempre tinha urn livrinho na gaveta de sua mesa de trabalho, do gênero faroeste, seu preferido, quase sempre.
Assim nasceu o projeto e meses depois, já estávamos na nova obra do velho Aristeu. umn confortável prédio que passou a ser nosso escritório, mas ele preferiu continuar em seu cúbiculo mal iluminado, no anexo da balança.
Enfim, um sujeito que criava planilhas para controle operacional com lápis e régua escolar, em qualquer tipo de folha de papel, fazia prójetos de silos, armazéns, prédios em retalhos de papel milimetrado, usando uma lapiseira metálica 0,5mm e um desdentado escalímetro, trabalhava em uma velha prancheta cheia de furos, com uma lâmpada incandescente, queimando a calva, e usava uma velha calculadora (Facit) a manivela e que pôs em pé instalações que tempestades e vendavais jamais abalaram, e que continuam sendo as melhores que temos, um sujeito que entendia de administração, construções, instalações, que fazia da matemática diversão, que projetava e executava obras que resistem ao tempo, não era um sujeito qualquer. Esse indivíduo, franzino, com a calva sempre protegida pelo tradicional boné de orelhas, de óculos grandes, sempre embaçados, que gostava de usar bombachas, ouvir boa música, mergulhar no mais profundo de sua inteligência, envolto na fumaça do cigarro e no sabor do cafezinho da Baixinha, em sua prancheta. Das nossas imperfeições, a vaidade e a arrogância, são as que mais prejudicam a visão de nossa inteligência, demoramos a perceber que a pessoa próxima de nós tem mais que um dom, tern genialidade, o dom dos dons, pois o sujeito com quem convivi por quase três décadas, quase todos os dias da semana, era um desses, escondido atrás de um sorriso de moleque, quando seu bigodinho grisalho parecia o fole de um acordeão, que às vezes dedilhava algum clássico, deixando rústicos sanfoneiros boquiabertos.
ARISTEU FERREIRA DOS SANTOS, não tinha listas com certificados e diplomas em seu currículum, aliás, coisa que nunca fez, seus diplomas e certificados eram modestos, o que o fazia tão criativo era o hábito de ler constantemente, não deixou sequer um livro relatando o que sabia e podia, fez algo muito melhor: passou a seus filhos e filhas o seu melhor, o gosto pela leitura, por isso seus herdeiros vão de competentes professoras a bancários e juízes.
Um dia, já aposentado, irritado com a maneira que os diretores tratavam os colegas operários, por cujos direitos sempre lutou, retirou-se, abrigou-se entre seus livros e nunca mais voltou.
Quando o vi pela última vez, eu estava em uma clínica tratando meu já debilitado sistema cardíaco, conc1uí que o grande mestre do universo deve estar preparando um grande projeto, algo revolucionário e certamente meu velho amigo e mestre ainda sorridente, estava convocado para participar.
Dias depois, os sinos dobraram, o meu Mestre atendera a convocação.
Lavrada em minha biblioteca, em 07 de janeiro de 2010, às 17h30min.
Derli Dutra
domingo, 23 de setembro de 2007
Redemunhador de faísca
Dispositivo criado pelo meu pai para reduzir o custo de aquecimento do sistema de secagem de produtos agrícolas.
Com menor quantidade de lenha obteve-se maior calor, aumentando dessa forma a eficiência do sistema. Idéia aproveitada nas outras filiais da empresa.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Questão de segurança ou loucura?
Cooperativa - Pensando na possibilidade de um incêndio, meu pai projetou a construção de um reservatório de água que não dependesse da energia que tocava a empresa para ser abastecido.
Conta que quando apresentou o projeto o chamaram de louco. Porém, após a exposição dos motivos, aprovaram a execução. Sua mente mirava o futuro e antecipava soluções. Lembro agora de uma fala do Senador Suplicy, quando dizia que seu maior defeito é ser detalhista demais na explicação de suas idéias, mas que se ouvidas com atenção, acabam se entusiamando por elas. Não é bem o caso de meu pai que era sucinto, mas a analogia cabe no que se refere à oportunidade para justificar o plano.
Conta que quando apresentou o projeto o chamaram de louco. Porém, após a exposição dos motivos, aprovaram a execução. Sua mente mirava o futuro e antecipava soluções. Lembro agora de uma fala do Senador Suplicy, quando dizia que seu maior defeito é ser detalhista demais na explicação de suas idéias, mas que se ouvidas com atenção, acabam se entusiamando por elas. Não é bem o caso de meu pai que era sucinto, mas a analogia cabe no que se refere à oportunidade para justificar o plano.
Cigarro. Como tudo começou.
Meu pai tinha então por volta de 20 anos. Numa de suas viagens aos centros urbanos comprou um rolo de fumo amarelinho para vender aos peões de estância, os caboclos que lidavam com o gado e as terras. Esse fumo amarelinho era especial, diferente daquele fumo bruto que tinha no comércio. Para vender, meu pai tinha sempre um cigarro pronto e dava pequenas tragadas. A venda foi rápida. Quando aquele rolo de fumo acabou, meu pai já estava fisgado pelo prazer da nicotina. O próximo rolo que comprou não seria mais para venda, era para consumo próprio. E o hábito se estendeu por sessenta longos anos. Colhi este depoimento de meu pai, ouvindo seu pigarro costumeiro e sua tosse incessante, sentindo o fraquejar de seu pulmão mutilado por este produto maldito. O marketing costuma associar jovens sadios e uma vida livre a um produto que destrói o pulmão das pessoas - o marketing mente.
sábado, 21 de julho de 2007
Patriarca Alípio casa-se com Maria da Luz Martins dos Santos
Maria da Luz, nossa avó paterna, a qual chegamos a conhecer, teve 5 filhos.
- Alberto;
- João Martins dos Santos ( tio Tinzo, casado com a irmã da mãe Enoema, Tarsila);
- Aristeu Ferreira dos Santos (casado com Enoema, minha mãe);
- Ezelinda (tia Nina, casada com Libório de Matos);
- Albertina (casada com Getúlio também irmão da mãe Enoema);
Alberto, o primogênito da avó paterna, foi militar, cabo. Andava com estrequinina no bolso e planeja suicídio. Abandonou a carreira militar e voltou para casa, tendo se formado em Guarda-Livros juntamente com meu pai, em 1940. Tralhara de contador em Capinzal e levou a cabo seu plano de suicídio, em Marcelinos Ramos. Viveu no celibato. Especula-se que, por ter solto alguns presos, tenha desertado da brigada e abortado a própria vida.
- Alberto;
- João Martins dos Santos ( tio Tinzo, casado com a irmã da mãe Enoema, Tarsila);
- Aristeu Ferreira dos Santos (casado com Enoema, minha mãe);
- Ezelinda (tia Nina, casada com Libório de Matos);
- Albertina (casada com Getúlio também irmão da mãe Enoema);
Alberto, o primogênito da avó paterna, foi militar, cabo. Andava com estrequinina no bolso e planeja suicídio. Abandonou a carreira militar e voltou para casa, tendo se formado em Guarda-Livros juntamente com meu pai, em 1940. Tralhara de contador em Capinzal e levou a cabo seu plano de suicídio, em Marcelinos Ramos. Viveu no celibato. Especula-se que, por ter solto alguns presos, tenha desertado da brigada e abortado a própria vida.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Alípio Ferreira dos Santos, nosso avô paterno
Alípio, Natural de Campos Novos - SC, foi condecorado Capitão do Exército, por ter combatido contra Carlos Prestes. Mais tarde, receberia condecoração de Tenente Coronel, na presidência de Venceslau Brás Pereira Gomes.
Nosso avô Alípio casou-se com Filisbina Camargo (primeira esposa).
Tiveram 2 filhos:
Pedro Ferreira dos Santos e Maria Conceição (filinha).
Este Pedro, revolucionário (revolução de 1930) ,teve sua primeira mulher assassinada, casando-se depois com uma castelhana, a Isabel Gorustide.
Meu pai conta que viajaram, ele e seu pai, até Santana do Livramento, divisa com Riviera, para visitá-lo. Lá chegando não o encontraram.
Pedro teve um filho, Bolívar.
Segundo palavras de meu pai, Pedro, seu irmão mais velho, era um crápula.
- o quê defendia Pedro, perguntei, já que era um revolucionário?
Defendia o dinheiro dele, dava golpe, falou.
Pedro e seu grupo um dia apareceram na casa de meu avô e este matou uma vaca e fizeram churrasco.
Pedro, com a morte de sua primeira mulhe,r acabou recebendo uma gorda indenização. Com esse dinheiro comprou uma chácara em Passo Fundo, a qual vendeu mais tarde para o coronel Jorge Pelegrini, comandante da Brigada Militar de Passo Fundo.
Pedro, o oportunista, com a morte de Filisbina Camargo, sua mãe (possuidora de grandes extensões de terras e pinhais), numa manobra, pegou procuração de sua irmã, a filinha, e acabou se apossando indevidamente da herança desta. Sua própria herança vendeu para sua mãe e ao mesmo tempo para outra pessoa em troca de uma bodega.
Maria Conceição era uma mulher liberal. Seu ex-marido mandou sequestrar a própria filha para tirar das mãos da mãe, evitando assim uma suposta influência negativa.
Certa vez meu pai fora a Porto Alegre em busca de sua irmã. Naquele tempo ela já tinha sido deixada pelo advogado, com quem tinha estado por um período. Encontrou-a então num apartamento sem janela e sem entrada de sol. Tinha lindos vestidos para a noite. Só voltaria a ver novamente seu irmão Pedro e sua irmã filinha na ocasião da morte de seu pai, nosso avô. Era tempo da partilha de bens.
As terras do vô Alípio.
Enormes extensões de terras do nosso avô foram herança de sua primeira esposa, a Filisbina Camargo. Parte dessas terras o avô perdeu ao pagar dívidas de fiadores velhacos. João Lopes de Miranda foi um dos fiadores, ao qual o vô prestou garantias, esse honrou o compromisso . Mas a fiança de Mascarenhas sobrou para meu avô quitar. Outra parte das terras foram cambiadas por cargueiros com porcos e latas de mel. Naquele tempo as terras não tinham o valor de hoje. Conta meu pai que pinheiros eram derrubados só pra ver o estouro.
Nosso avô Alípio casou-se com Filisbina Camargo (primeira esposa).
Tiveram 2 filhos:
Pedro Ferreira dos Santos e Maria Conceição (filinha).
Este Pedro, revolucionário (revolução de 1930) ,teve sua primeira mulher assassinada, casando-se depois com uma castelhana, a Isabel Gorustide.
Meu pai conta que viajaram, ele e seu pai, até Santana do Livramento, divisa com Riviera, para visitá-lo. Lá chegando não o encontraram.
Pedro teve um filho, Bolívar.
Segundo palavras de meu pai, Pedro, seu irmão mais velho, era um crápula.
- o quê defendia Pedro, perguntei, já que era um revolucionário?
Defendia o dinheiro dele, dava golpe, falou.
Pedro e seu grupo um dia apareceram na casa de meu avô e este matou uma vaca e fizeram churrasco.
Pedro, com a morte de sua primeira mulhe,r acabou recebendo uma gorda indenização. Com esse dinheiro comprou uma chácara em Passo Fundo, a qual vendeu mais tarde para o coronel Jorge Pelegrini, comandante da Brigada Militar de Passo Fundo.
Pedro, o oportunista, com a morte de Filisbina Camargo, sua mãe (possuidora de grandes extensões de terras e pinhais), numa manobra, pegou procuração de sua irmã, a filinha, e acabou se apossando indevidamente da herança desta. Sua própria herança vendeu para sua mãe e ao mesmo tempo para outra pessoa em troca de uma bodega.
Maria Conceição era uma mulher liberal. Seu ex-marido mandou sequestrar a própria filha para tirar das mãos da mãe, evitando assim uma suposta influência negativa.
Certa vez meu pai fora a Porto Alegre em busca de sua irmã. Naquele tempo ela já tinha sido deixada pelo advogado, com quem tinha estado por um período. Encontrou-a então num apartamento sem janela e sem entrada de sol. Tinha lindos vestidos para a noite. Só voltaria a ver novamente seu irmão Pedro e sua irmã filinha na ocasião da morte de seu pai, nosso avô. Era tempo da partilha de bens.
As terras do vô Alípio.
Enormes extensões de terras do nosso avô foram herança de sua primeira esposa, a Filisbina Camargo. Parte dessas terras o avô perdeu ao pagar dívidas de fiadores velhacos. João Lopes de Miranda foi um dos fiadores, ao qual o vô prestou garantias, esse honrou o compromisso . Mas a fiança de Mascarenhas sobrou para meu avô quitar. Outra parte das terras foram cambiadas por cargueiros com porcos e latas de mel. Naquele tempo as terras não tinham o valor de hoje. Conta meu pai que pinheiros eram derrubados só pra ver o estouro.
Árvore Genealógica - Ferreira dos Santos
Marco inicial da construção da árvore genealógica da família
Ferreira dos Santos.
Somente terá exito com a colaboração dos amigos, conhecidos, parentes e irmãos conhecedores
de detalhes para enriquecer esta árvore.
Ferreira dos Santos.
Somente terá exito com a colaboração dos amigos, conhecidos, parentes e irmãos conhecedores
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